sexta-feira, 7 de setembro de 2012

AUSTERIDADE PARA O JANTAR

    O primeiro ministro anunciou hoje ao país novas medidas de austeridade. Confesso que fiquei surpreendido com o seu teor. No dia do anúncio da inconstitucionalidade do corte dos subsídios apenas a funcionários públicos e aposentados, escrevi aqui que se abria a porta à extensão dos cortes também ao sector privado. Mais; não me admirava que o corte nos privados se verificasse já este ano, como forma de amenizar a derrapagem no défice público. Afinal este ano não haverá agravamento das medidas e as alterações do próximo ano não eram as que esperava. A leitura que faço é a seguinte: o anúncio feito no dia de hoje, não é ao acaso. Hoje é o último dia da 5ª avaliação da "troika". Continuo a pensar que nos vão autorizar a flexibilização do valor do défice de 4,5% para 5,3%. Como nunca chegámos a pôr em prática uma das principais medidas do pacote, a desvalorização fiscal, que preconizava uma forte descida da contribuição das empresas para a segurança social, com a medida hoje anunciada mata-se dois coelhos com uma cajadada. Por um lado, reforçam-se as medidas de austeridade, dando assim mostras de que estamos verdadeiramente empenhados em cumprir na íntegra o programa, por outro damos finalmente seguimento à medida que a troika nunca esqueceu e que tem insistido em todas as anteriores avaliações. O que eu esperava era o corte num dos subsídios dos privados, compensando assim a reposição dos dois do sector público. Põe-se agora outra questão, na minha opinião: isto satisfará o tribunal constitucional? Não me parece! Estas medidas são completamente contrárias ao espírito da decisão do tribunal. De facto estendem os sacrifícios também aos privados, mas não devolve nenhum aos funcionários públicos, como obriga o acórdão do tribunal. Penso que o presidente da república irá enviar o orçamento de 2013 para o tribunal constitucional que, a ser coerente, o chumbará neste capítulo. Aguardemos mais 2 meses, mas o primeiro ministro deve ter um plano B para esta forte probabilidade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O SAQUE CHAMADO IRS

    O governo diz que vai reduzir o número de escalões do IRS. Já estou a ficar mais triste que o Cristiano Ronaldo... Iniciei a minha carreira contributiva em 1977, aos 18 anos quando comecei a trabalhar. Passei por inúmeras alterações fiscais e em todas as vezes que houve alguma mudança fiquei sempre a pagar mais do que anteriormente. Fazendo parte da defunta classe média portuguesa, como trabalhador por conta de outrém, tenho sido mais espremido ao longo destes anos do que uma laranja num espremedor de citrinos. E neste capítulo, tão voraz se tem mostrado PSD como PS. A capacidade para arranjar alternativas é tão limitada num e noutro que invariavelmente vão acabar  por esbulhar sempre os mesmos. Como já retêm na fonte cerca de 50% dos nossos rendimentos só em impostos directos, não falta  muito para que, ao contrário da doutrina que apregoam, por ironia do destino e da história, coloquem em prática a cartilha estalinista da colectivização da produção e da riqueza, retendo os rendimentos na totalidade e responsabilizando-se depois pela satisfação das necessidades básicas da população, como habitação social, senhas de racionamento e de transporte. A continuar a este ritmo o saque com o inofensivo nome de IRS, há-de chegar o tempo em que no dia do pagamento do salário em vez de recebermos ainda temos que repôr alguma verba em falta...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A TRISTEZA DE CRISTIANO

      Cristiano Ronaldo anda triste. Por mais que se tente, não se lhe consegue arrancar a verdade sobre tamanha tristeza. Diz ele que as pessoas sabem, mas o que  é certo é que o assunto atingiu tal magnitude em Espanha, que várias cadeias de TV enviaram os seus repórteres a Óbidos hoje, para perguntarem ao próprio as razões para tal angústia. Dizem uns que foi por Iniesta lhe ter arrebatado mais um prémio. Ele diz que não é nada disso. Afirmam outros que é por causa do seu salário, que anda à volta de 1 milhão de euros por mês, não ser aumentado como queria. De facto, se for este o motivo, é compreensível. Numa altura em que as várias autonomias espanholas fazem fila a pedir resgates financeiros ao governo central, empurrando este para um resgate total ao reino, em que a taxa de desemprego oficial do país já ultrapassa 1/4 da população activa, em que uma boa parte do território está, como nós por aqui, debaixo de fogo, deixando populações na miséria, sem qualquer futuro, em que, como por cá, há cada vez mais famílias em desespero cuja única solução (?) é tentar ganhar um magro sustento noutro país, acho que Cristiano tem razão para estar triste com o seu milhão mensal! Acho até que, para tentar alegrar o rapaz se devia organizar uma colecta nacional e depositá-la na sua conta no BES e enviar-lhe um psicólogo para lhe dar apoio. Ou, quem sabe, sugerir-lhe que volte para a Madeira, para junto dos seus conterrâneos que nadam em abundância e viver como eles vivem. Talvez assim lhe voltasse a alegria de viver...

domingo, 2 de setembro de 2012

CARTÕES E COMISSÕES

   Ultimamente temos ouvido nos noticiários uma autêntica cruzada contra os cartões bancários. Foi primeiro o Pingo Doce, que a partir de ontem não aceita pagamentos com cartões para compras inferiores a 20€, logo seguido por outros, de menor dimensão e inferior peso negocial, nomeadamente a AHRESP, associação representante da hotelaria e restaurantes. Todos questionam as elevadas comissões cobradas pela banca e Unicre, enquanto entidades emissoras dos cartões e responsáveis pelos terminais POS. As comissões são elevadas, mas já foram piores. E é bom lembrar que ninguém adere a este serviço para engordar os lucros de bancos e afins; é um serviço que oferecem aos seus clientes, para sua comodidade e para sua (comerciantes) própria segurança, garantindo de imediato o bom pagamento, com rapidez  e não gerando grandes fluxos de numerário. Porquê todo este ruído repentino contra o pagamento com cartões? Será apenas pelo momento difícil que o comércio, como todos os outros, estão a atravessar, ou será antes porque o fisco passou a ter acesso aos pagamentos feitos com cartão, comparando assim as receitas dos estabelecimentos com aquilo que é declarado? É capaz de ser apenas coincidência, eu é que sou um incorrigível desconfiado...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

DESAPARECIDOS

    Hoje celebrou-se o Dia Internacional dos Desaparecidos. Será que se lembraram dos subsídios de férias e de Natal de funcionários públicos e pensionistas portugueses?...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

EMPREENDEDORISMO À PORTUGUESA...

     Hoje almocei num restaurante em Pinhanços, na estrada nacional 17, entre Seia e Gouveia. Já costumo aqui parar para almoçar há anos. A comida é bem confeccionada e os preços não são elevados. Hoje, ao pedir a conta, verifiquei que uma parcela dizia respeito à cobrança de entradas (2,40€) e outra de pão (0,30€). As entradas nem sequer tinham vindo para a mesa. O pão estava num cestinho, intacto, como tinha sido trazido. Chamei o empregado para verificar. Sem manifestar qualquer surpresa, pediu desculpa, foi à caixa e trouxe-me imediatamente outro talão, sem as referidas despesas a mais. Não tinha tido tempo para extrair outro talão, portanto já tinha dois preparados para as eventualidades; se o cliente reclamasse, trazia-se o outro, se não dissesse nada ficava o primeiro com mais 2,70€. Como este restaurante é grande, está sempre cheio e este estratagema decerto não era exclusivo para mim, façam-se as contas e veja-se como o empreendedorismo português existe de facto. E dizem que os empresários portugueses não têm imaginação? Já há um bom par de anos, num restaurante no centro comercial Colombo me tinham feito exactamente a mesma coisa. Deve ser para combater a subida da taxa de IVA para 23%...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

PRÉMIO PARA O BOM ALUNO?

     Amanhã, terça-feira, será um dia muito importante para Portugal. Inicia-se a 5ª visita da troika, da qual sairão decisões com implicações profundas para todos nós. Já é um dado adquirido que o défice público para este ano, cuja meta definida no programa de ajustamento financeiro era de 4,5%, não irá ser cumprido. Extrapolando para o final do ano a execução orçamental a Junho, sem grandes surpresas provocadas por factores externos, ele situar-se-à em volta dos 5,7%. E agora é que vamos ver se de facto valeram a pena os sacrifícios a que temos sido sujeitos neste último ano. BCE, comissão europeia, FMI, governantes alemães, não se têm cansado de nos elogiar, como cumpridores exemplares do guião que nos foi entregue em Maio de 2011. E disseram por mais que uma vez que, se a conjuntura internacional se degradasse mais que o previsto, isso iria ser tido em conta nos efeitos provocados em eventuais derrapagens em Portugal. Há duas hipóteses: ou cegamente nos obrigam a arranjar solução para cumprirmos os 4,5% (mais impostos), ou aceitam uma flexibilização do valor do défice para este ano e o próximo. Penso que será este o caso. Vão dar-nos um bónus como prémio de bom comportamento... Para continuarmos a servir de (bom) exemplo para outros e para não agravar mais os dois principais problemas actuais do país: o desemprego e a recessão económica. Aguardemos pelo final da semana...