quinta-feira, 14 de junho de 2012

ESPANHA - 3º CAPÍTULO

    As coisas estão a desenrolar-se com rapidez, em Espanha. A Moody's baixou o rating do reino em três níveis e os juros das obrigações a 10 anos tocaram a barreira psicológica dos 7%. Tudo se encaminha para, reafirmo, o desenlace inevitável: o resgate financeiro ao país. É claro que o PM espanhol vai dizer todos os dias, durante semanas, tal como fez Sócrates, que não precisam de ajuda, que Espanha vai resolver sòzinha o problema, que não são a Grécia nem Portugal...
     Entretanto a vítima seguinte percorre já o trajecto conhecido por Grécia, Irlanda, Portugal e quase finalizado por Espanha. A taxa de juro implícita das obrigações italianas a 10 anos já ultrapassou os 6,2 %. Mas o PM Mário Monti já veio afirmar que a Itália não precisa de nenhuma ajuda internacional. Ficamos todos mais descansados, sendo assim...
      Todos os dias têm sido levantados centenas de milhões de euros dos bancos gregos, italianos e espanhóis. A prova de fogo é já no próximo domingo, quando se souberem os resultados das eleições na Grécia. Aguardemos...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

LICENCIATURAS "À BOLONHESA"

    Saiu recentemente o resultado de um estudo (estudos é com os portugueses), que apurou que de 2005 a 2011 a percentagem de comparticipação do Estado no custo de formação de um estudante  universitário, desceu de 44 para 38%, enquanto que, inversamente, o das famílias subiu de 56 para 62%. Concluiu também que, em média, o custo anual da frequência de um curso superior, imputado às famílias, anda pelos 6000 euros. Eu já tinha chegado a esta conclusão há uns anos, sem precisar de nenhum estudo. Bastou-me saber fazer contas de somar. Tendo três filhos na universidade em simultâneo, há quatro anos, posso corroborar esse valor. Mas atenção, o valor é válido para a licenciatura... Quando apareceu o Processo de Bolonha, pareceu-me que a mudança trazia "água no bico". Reduzir a duração de licenciatura de 5 para 3 anos? Milagre? Disse para os meus filhos que, quanto a mim, o verdadeiro motivo era o Estado deixar de financiar 5 anos com propinas limitadas a 1000 euros anuais, para passar a financiar apenas 3 anos, liberalizando o seu valor nos anos seguintes a que chamam "mestrado". O resultado está à vista. De 1000 euros anuais na licenciatura, passaram para 5300 euros nos dois anos de mestrado. Estamos a falar de universidades públicas! Digam o que disserem, que serve para harmonizar programas e cursos na Europa, etc, quanto a mim, o resultado prático foi dividir 5 anos em 3+2 e nos dois últimos duplicar ou triplicar o valor das propinas dos primeiros. A minha conta bancária em erosão acentuada confirma-o sem necessitar de estudos...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

TROIKA RUMA A ESPANHA - 2º CAPÍTULO

   Em guiza de continuação do meu "post" de 29 de Maio, aí está o resgate a Espanha. Para já, apenas ao sector bancário, querem eles que se realce bem. Para que Grécia e Portugal, com as economias num colete de forças provocado por doses maciças de austeridade não comecem a estrebuchar, querendo igualdade  nas contrapartidas exigidas. Claro que a Irlanda tem toda a legitimidade para renegociar o seu programa, uma vez que foi a nacionalização da banca e respectiva recapitalização que obrigou o Estado a pedir ajuda internacional, tal como fez agora Espanha. Ainda há muito por esclarecer quanto às exigências da troika ( o FMI não participa no resgate mas sim no controlo e vigilância), mas como alguém disse "não há almoços grátis". Provavelmente, também a Europa está a ver se o problema se resolve assim, pois um resgate ao Reino, será de várias vezes 100 mil milhões... E exigir a aplicação de um programa de ajustamento financeiro com medidas de austeridade num país com uma taxa de desemprego de 25%, é acender o  rastilho de uma explosão social. Mas... E os mercados? Satisfazer-se-ão com isto? Duvido! E as dúvidas vamos tirá-las nas próximas emissões de dívida a 10 anos. Que taxas serão exigidas? E as necessidades financeiras urgentes das várias regiões autónomas, algumas em pré-bancarrota, como vão ser satisfeitas? Irá o governo espanhol tentar que algum do dinheiro a injectar na banca sirva para comprar dívida pública, evitando assim ir tanto ao mercado? Penso que isto será apenas um paliativo e dentro de algum tempo será inevitável um resgate ao país. Aguardemos os próximos capítulos...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

CASO BPN

       O juíz titular do "caso BPN", diz que o atraso no processo se deve em boa parte ao seu computador, que está obsoleto e é muito lento, não tendo capacidade para efectuar consultas rápidas. Ora conhecendo bem o país em que vivemos, o regabofe e impunidade generalizada nos crimes de "colarinho branco" e o caos que reina no sistema judicial português, sugiro que se faça já uma subscrição ou peditório nacional, para se comprar e oferecer um portátil ao senhor juíz, com muitos gigas de memória, que seja bastante rápido para que, pelo menos não seja este o motivo invocado para a prescrição dos crimes, daqui a algum tempo...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PACTO DE REDENÇÃO

     Está em desenvolvimento na Alemanha uma ideia para aplicar nos países mais endividados do sul da Europa, para se financiarem nos mercados a taxas mais baixas, e em alternativa à emissão das já famosas Eurobonds. Chamam-lhe Pacto de Redenção e é, no fundo, a constituição de um penhor sobre as reservas de ouro que cada Estado possui, ou outros tesouros nacionais também elegíveis, que passarão a servir de garantia a novos empréstimos. No início do programa de resgate financeiro à Grécia, a Alemanha aconselhou os gregos a venderem as ilhas. Será que pretendem terminar agora a pilhagem que a Wehrmacht e a Luftwaffe não concluiram até 1945, nos territórios ocupados? Quando se negoceia um empréstimo, é sempre possível negociar também as garantias. Como os alemães mostram uma especial apetência por ilhas, eu proporia a entrega da ilha da Madeira, com a condição de incluir também o Alberto João no pacote...

terça-feira, 5 de junho de 2012

REDUÇÃO DA TSU

     A troika ainda não abandonou a ideia que defende desde o início do programa de ajustamento financeiro para Portugal: a desvalorização fiscal, através de uma forte redução nos descontos das empresas para a segurança social. O ministro das finanças, no comentário à avaliação trimestral, proferida hoje, veio anunciar que pode haver nos próximos tempos uma diminuição da TSU, mesmo que selectiva, por sectores da economia, pondo como condição que haja folga orçamental. Ora sabendo nós que, pelo menos desde a segunda metade do reinado de D. João V, não existe nenhuma folga orçamental nas contas públicas portuguesas, estamos conversados...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

EDP "TROIKA" AS VOLTAS AO GOVERNO

  Na avaliação trimestral sobre a aplicação do programa de ajustamento financeiro que Portugal acordou com a troika, esta lamentou que a EDP tenha escapado aos cortes que o governo anunciou nas rendas que recebe o sector energético. Se é verdade que, tendo o Estado português vendido uma parte da empresa há bem pouco tempo aos chineses da China Three Gorges Corporation, por um preço muito favorável para Portugal, não seria muito curial desvalorizá-la agora reduzindo-lhe receitas contratualmente estabelecidas, não é menos verdade que não é por acaso que empresas desta dimensão e importância para o país, têm sempre nos seus conselhos de administração ex-ministros com grande peso político dentro dos dois principais partidos portugueses. E também aqui os dois partidos têm sido sempre iguais. Quando se trata de negociar interesses entre o Estado e grandes empresas privadas, bem sabemos de que lado tem ficado sempre o risco e o prejuízo... E se é fácil mexer no bolso dos contribuintes, vão lá ver se mexeram no da EDP? O ministro disse que mexia, não Mexia?...