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domingo, 6 de maio de 2012
NEGÓCIOS DA CHINA PORTUGUESES
E continua a saga do Pingo Doce. Cinco dias depois da campanha dos descontos, é assunto de conversa na comunicação social, nas redes sociais e nas mesas de café. Creio que nem os estrategos de publicidade e marketing que criaram a campanha, contavam com um êxito tão retumbante. A percepção da imagem de marca é enorme e isso vai com certeza reflectir-se nos resultados dos próximos tempos. Houve agora um efeito colateral: começou a falar-se das escandalosas margens de lucro que as grandes superfícies obtêm sobre os preços pagos ao produtor. Em alguns produtos chegam aos 80%! Isto já era conhecido, mas também é rapidamente esquecido. Periodicamente surgem notícias sobre o controlo absoluto sobre os preços e a posição de total dependência dos produtores em relação aos grandes distribuidores. Isto acontece por deficiente regulação e por falta de organização associativa por parte dos produtores. É preciso notar que estas grandes empresas não criam nada, apenas se limitam a vender o que outros produzem. Há quem aponte os muitos postos de trabalho que geram. Estes são fáceis de contabilizar. E os que se perdem no comércio tradicional que há anos vai encerrando portas? Esses números estão apurados? E este negócio tem sido uma "mina" em Portugal. Com margens destas não admira que as maiores fortunas portuguesas estejam nas mãos dos donos ou accionistas maioritários destas grandes empresas de distribuição. De tal modo que se afastaram progressivamente das indústrias que os lançaram como empresários de sucesso. É que essa actividade era menos rendosa, muito mais arriscada e sujeita a grande concorrência internacional. Esta é bem mais pacífica e previsível. Basta colocar as prateleiras e enchê-las com os produtos que os outros lá vão colocar aos preços que o dono da loja estipula. Outros que a pouco e pouco vão abandonando a terra e as explorações pecuárias por serem assim inviáveis. Depois aconselhem-nos a ser empreendedores e a produzir bens transaccionáveis...
quinta-feira, 3 de maio de 2012
PINGOS DE MARKETING
Escrevi no meu último "post" que o nosso país parece não ter quaisquer problemas, dada a forma como relega para segundo plano os que tem, e bem graves eles são. Referia-me à relevância atribuída ao caso da greve dos jogadores da União de Leiria. Afinal o "prime time" da UDL durou apenas até à promoção do Pingo Doce de 1 de Maio. E esta não teve apenas direito à abertura dos telejornais: durou os telejornais quase inteiros, debates nos horários nobres, primeiras páginas nos jornais, as redes sociais não falam de outra coisa, letras de canções conhecidas adaptadas, e, pasme-se... discussão na Assembleia da República. De facto, tenha havido "dumping" ou não, a aposta foi claramente ganha, do ponto de vista do Pingo Doce, é claro. Quanto custariam 3 dias de campanha publicitária ininterrupta? Muito mais que as eventuais perdas obtidas com o desconto proporcionado na campanha. Campanha que chegou a praticamente todos os consumidores, como se prova neste meu comentário. Quer se aplauda, quer se critique, o que é certo é que anda toda a gente a falar do assunto. Acho até que no futuro, dado que já há quem prometa copiar a ideia, a Protecção Civil deveria aproveitar a oportunidade para testar em cenário real uma cena de açambarcamento provocado pela notícia do aproximar de um tufão ou de qualquer outra catástrofe. Em tempo de magros orçamentos e escassas verbas, não se gastava dinheiro em simulacros...
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