O começo atribulado deste novo ano lectivo, com professores sem colocação e outros deslocados para muito longe da sua residência, trouxe-me à memória o início da minha carreira, como professor primário.
Tinha 17 anos quando acabei o curso, em 1976. Tive portanto que esperar até ter 18, para poder começar a leccionar. Fui colocado no início de Maio seguinte, na povoação de Alhais, concelho de Pombal, na Mata do Urso. Lembro-me de me dizerem na Direcção Escolar de Leiria para ir de comboio e descer na estação de Louriçal e depois pedir boleia, pois não havia transportes nem... estrada! Assim fiz, depois das tensas despedidas, pois era a primeira vez que saía de casa. Com uma grande e pesada mala, para o que desse e viesse, lá parti, de autocarro até Caldas e depois no comboio até Louriçal, como me haviam dito. Chegado ali, confirmaram-me que havia duas maneiras de ir para Alhais: de táxi, metade do caminho por estrada de terra batida, ou a pé por um atalho pelo meio de pinhais. Como tinha receio de me perder e tinha o enorme malão, apanhei um táxi. A escola ficava junto de algumas habitações daquilo a que não se podia chamar de aldeia, pois as casas eram todas dispersas, muito humildes, sem electricidade nem esgotos. Eu tinha sido colocado na telescola. Os televisores funcionavam através de um gerador a gasolina, comprada pelos professores numas bombas que existiam ao lado da estação, como vim a saber depois e cujo pagamento nos era devolvido apenas no final do ano lectivo. Por esse motivo víamos apenas as emissões das disciplinas mais importantes. Tinha inscritos mais de 20 alunos, mas só apareciam 5. Os outros, já andavam a trabalhar com os pais e ia mensalmente a GNR a casa cobrar-lhes a multa por não comparecerem na escola. Os alunos, mal sabiam falar, o tempo das aulas era em boa parte ocupado a explicar-lhes o significado de cada palavra que utilizava. Viviam isolados de tudo e todos e pareciam bichos do mato. Tinham todos mais de 12 anos, havendo um com 17 anos. Eu tinha 18! A colega que me coube em sorte, tinha maus fígados e reunia um enorme lote de defeitos, como vim a descobrir a pouco e pouco. A tal ponto, de prescindir da sua boleia diária e passar a vir empoleirado atrás da bicicleta dos alunos que se revesavam a ir-me buscar à estação de Louriçal. No primeiro dia, tentei que alguma família de alunos me alugasse um quarto, com alimentação incluída. Ninguém se dispôs a isso, dizendo que não tinham casas em condições, o que provavelmente seria verdade. Regressei à estação, que não tinha nada além de uma pequena mercearia, onde me informaram que por ali ninguém me alugaria quarto. "Ainda se fosse a uma senhora...". Já era final de tarde e havia que resolver o problema, pois no dia seguinte era preciso regressar. Em desespero de causa, apanhei um autocarro, o último do dia, no sentido de Leiria. Disse-me o cobrador que na Guia, junto à paragem, havia um café que costumava alugar quartos. Quando lá chegámos, o cobrador entrou no café, trouxe o dono até cá fora e aquele disse que não, que já há tempo que não tinha quartos nenhuns para alugar. Que seguisse, pois em Monte Redondo havia uma pensão e talvez conseguisse ali. Em Monte Redondo saí e lá fui com a mala, até à pensão S. Cristóvão. O autocarro partiu e eu ali fiquei, dependente daquela pensão. Depois de um grande debate lá para dentro, entre os 2 irmãos (donos) e suas esposas, e eu a rezar para que me aceitassem, lá me vieram comunicar que tinham um quarto para mim e que me podiam assegurar almoço e jantar todos os dias. Foi um alívio! Era longe, tinha que apanhar o autocarro ou o comboio até à estação de Louriçal e depois seguir pelos pinhais até Alhais. E foi assim até ao final do ano lectivo. Os meus pais tinham que me ajudar financeiramente, pois o que ganhava não chegava para os transportes e para pagar a estadia na pensão. Nos anos seguintes, já com uma Vespa, andei a saltitar de escola em escola, a fazer substituições, 15 dias aqui, um mês acolá, com intervalos em casa. 3 meses na escola de Engenho, Marinha Grande, com entrada às 8,25m, em Fevereiro. Tinha que sair de Peniche às 7 horas, com um frio penetrante e só começava a amanhecer quando passava pela Nazaré. Em dias de chuva, e foram muitos, quando chegava à Atouguia da Baleia já ia encharcado, pois nem tinha impermeável. Ficava com a roupa a secar no corpo e muitas vezes acabava de a secar na viagem de regresso, quando já não chovia. Mas nunca faltei um único dia e antes da hora de entrada estava à porta da escola. Recordo um dia de temporal, com chuva intensa, ventania e trovoada. De tal forma intensa, que perto de Valado de Stª Quitéria, optei por parar para me abrigar debaixo de 2 grandes pinheiros, com algum risco, pois a trovoada era forte. Mas o granizo e o vendaval assim me obrigaram e ali fiquei, gelado e encharcado, à espera que passasse mais. Assim, passei pela Marinha Grande, Alpedriz (Alcobaça), Carvalhal e Baraçais (Bombarral), Ferrel, S.Bernardino, Lugar da Estrada e Serra D'El-Rei (Peniche). Sempre que havia uma vaga, chamavam a Leiria todos os professores por colocar. Quem não comparecesse ficava excluído nesse ano. Quantas vezes ia a Leiria, na Vespa, debaixo de chuva, quando havia um lugar para 90 candidatos e o meu número na lista andava lá para o fim! Já para não falar de lugares que se sabia estarem vagos, nunca apareciam a concurso e eram depois ocupados por meninas de pernas bonitas que se pavoneavam no meio da multidão que entupia a Direcção Escolar em dias de concurso e que eu via entrar nos gabinetes dos senhores directores, apenas reservados para esses acessos privilegiados... Como eu tinha muitos cabelos nas pernas, esses gabinetes sempre me estiveram vedados... Acabei por me fartar de tudo aquilo, do autêntico desprezo por quem andava ali a mendigar uns dias de trabalho, de coisas que via e com que não concordava e mandei toda aquela gente à fava. Em todos aqueles anos, apenas lá vi uma senhora que trabalhava com afinco, que era justa, competente e que gostava de ajudar os outros. Mas foi uma experiência que me marcou profundamente. Hoje ninguém suportaria o que eu passei. Mas mesmo nesse tempo, também tinha colegas que, quando eram colocados a 5 Km de casa, no dia seguinte entregavam um atestado médico! Sempre houve de tudo e sempre haverá. Considerei sempre que os meus alunos não tinham qualquer culpa do que me acontecia a mim e do modo como o sistema funcionava e portanto não os podia penalizar. Com todas as adversidades e estando a fazer uma coisa de que não gostava, sempre cumpri a minha missão o melhor que pude e que sabia, pois ninguém me obrigava a lá andar. Quando me fartei, vim-me embora e encerrei esse capítulo da minha vida. Antes de mim, outros tinham sofrido bem mais... A cada ano lectivo que começa, com os lamentos de tantos casos que as televisões nos mostram, regressam sempre estas minhas memórias do passado...
terça-feira, 24 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
O CINISMO DO FMI
Saiu hoje mais um daqueles comunicados a que o FMI já nos vem habituando, em época de avaliações da troika. Enquanto em Washington, a madame Lagarde ou o sr. Blanchard, dizem coisas piedosas, como, "O FMI enganou-se nos multiplicadores e o seu efeito sobre as economias sujeitas a programas de ajustamento não é de 0,8%, mas de cerca de 1,8%"; ou como hoje, "que é preciso cuidado com a austeridade, que os seus efeitos sobre as economias podem ser muito mais adversos do que se previa" blá, blá, blá, os seus técnicos em Lisboa apertam-nos a tarracha e mostram-se inflexíveis nas metas orçamentais já definidas. Ora isto já ultrapassou a fase da hipocrisia e do cinismo, para passar ao puro gozo com Portugal e os portugueses. Já disse aqui e em outros fóruns, muitas vezes, que todos sabemos e a troika melhor que ninguém, que a receita que nos obrigaram a seguir teria resultados catastróficos sobre a economia e que sendo assim, a única explicação que encontro é a da punição. Mas está a aproximar-se a hora da verdade. Daqui a 9 meses, acaba o programa e toda a gente sabe que Portugal não conseguirá financiar-se sòzinho nos mercados. Mas isso já sabemos desde 2011! O que esses mesmos mercados nos dizem através das taxas que exigem para nos comprar dívida pública, é que não acreditam que Portugal consiga pagar a sua dívida, ou seja, o que ando a dizer há anos e que ouço muitos outros dizer entretanto. A taxa pedida para o prazo de 10 anos já passou dos 7,3%! Ninguém consegue pagar uma dívida que já representa perto de 130% do PIB, a não ser que a economia crescesse a taxas superiores a 4% ao ano. Isso é impensável em Portugal nas próximas décadas. Portanto, estão à espera que não haja dinheiro para pagar a fornecedores, a pensões e ordenados, para então se fazer uma reestruturação da dívida? Ou será preciso sentar os membros do governo, em conjunto com os elementos da troika, os chefes da UE, do BCE e do FMI, na sala magna da universidade de Lisboa e colocar um aluno de economia a dizer-lhes que um país com uma dívida pública de 130% do PIB, com uma taxa de desemprego de 20%, obrigado a fazer todos os anos cortes orçamentais de valor superior a 3 mil milhões, nunca conseguirá sair da recessão e sendo assim a sua dívida nunca parará de crescer e não é pagável? E que o resultado inevitável deste círculo vicioso é a bancarrota ou uma reestruturação da dívida que a evite e a empurre para a frente? Será preciso isso, para perceberem? É que cada ano a mais à espera que percebam, será mais uma década de recuperação para superar...
Nunca foi tão verdadeira a célebre frase de António Aleixo: " Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência"...
Nunca foi tão verdadeira a célebre frase de António Aleixo: " Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência"...
sábado, 14 de setembro de 2013
GRAVIDEZ ECTÓPICA DO ESTACIONAMENTO
As estatísticas e as notícias de há uns anos para cá, mostram-nos à saciedade que a reposição geracional é um dos mais graves problemas que Portugal terá que enfrentar num futuro próximo. A constante quebra na taxa de natalidade leva-nos a tal conclusão. No entanto, quando me dirijo aos supermercados portugueses, fico sempre com a ideia que esse problema está finalmente resolvido. É que os lugares no estacionamento, reservados a grávidas e a deficientes motores estão invariavelmente ocupados! É certo que depois, lá dentro, nunca encontro ninguém com a barriga maior que a minha, nem nenhuma cadeira de rodas, o que me leva a concluir que devem ser gravidezes ectópicas e ligeiros deficientes mentais que, por o serem, fizeram confusão na interpretação dos sinais indicativos lá fora...
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
A BAIXA NO IRC
Um dos assuntos que têm ocupado as últimas semanas nos noticiários, tem sido a hipotética e anunciada baixa no IRC, eventualmente a partir do próximo ano. Todos sabemos que a carga fiscal em Portugal é excessiva, que quando pensávamos que tinha atingido o limite, há sempre mais uma margem para aumento, que um torniquete fiscal como o nosso esmaga a economia, estrangula o investimento e impede o crescimento. Sabemos disso tudo. O próprio governo, que não viu ou não quis ver outra saída para tentar atingir as metas impostas pela troika senão aumentar "enormemente" os impostos, é o primeiro a admitir tudo isto.
De há algum tempo para cá, há uma corrente que advoga a descida do IRC, com o objectivo de captar novas empresas e novos investimentos, dando como exemplo do êxito desta política, o caso da Irlanda. Como princípio e numa primeira e rápida análise, aparentemente é uma boa medida e tudo o que seja baixar impostos é bom. Mas vejamos: o IRC é um imposto que incide sobre os lucros das empresas. Uma boa parte das pequenas e médias empresas portuguesas não paga IRC, porque declara sempre prejuízos, ou lucros residuais. O grosso da receita deste imposto, é pago por meia dúzia de grandes empresas. Serão então estas a beneficiar de uma eventual baixa na taxa do imposto. E o objectivo de atrair novos investimentos e novas empresas? Será isto decisivo para uma opção estratégica desse género? Não me parece. Primeiro, porque em Portugal nada é estável. Hoje é assim, mas amanhã com outro governo, poderá ser diferente. Já ninguém acredita em Portugal. Depois, entre os vários factores que levam ou não uma empresa a decidir-se por uma determinada geografia, a estabilidade fiscal é uma delas. Nós não a temos. Uma boa máquina judicial, desburocratizada e ágil é factor decisivo. Nós não a temos. E no momento que atravessamos, com o país intervencionado pelos credores, só se os outros factores fossem mesmo muito atractivos é que alguém se sentiria atraído por Portugal, quando tem dezenas de outras alternativas. Portanto, meus caros, o efeito real que a baixa do IRC vai ter, será um impacto residual na atracção de novas empresas, mas em contrapartida vai gerar uma grande poupança naquelas grandes empresas que já fogem a todos os impostos em geral, fazendo o seu "planeamento fiscal", colocando as suas sedes em outros países e servindo-se de Portugal apenas como "mamadeira", incluindo em larga medida o Estado. São todas as do PSI-20, excepto uma, mas também muitas das outras que nem estão cotadas em bolsa. E vamos ver onde o governo irá buscar a receita para compensar a quebra no IRC. Serão as vítimas eleitas por Passos, a tapar mais este "buraquito", os funcionários públicos e os reformados? Veremos os próximos capítulos...
De há algum tempo para cá, há uma corrente que advoga a descida do IRC, com o objectivo de captar novas empresas e novos investimentos, dando como exemplo do êxito desta política, o caso da Irlanda. Como princípio e numa primeira e rápida análise, aparentemente é uma boa medida e tudo o que seja baixar impostos é bom. Mas vejamos: o IRC é um imposto que incide sobre os lucros das empresas. Uma boa parte das pequenas e médias empresas portuguesas não paga IRC, porque declara sempre prejuízos, ou lucros residuais. O grosso da receita deste imposto, é pago por meia dúzia de grandes empresas. Serão então estas a beneficiar de uma eventual baixa na taxa do imposto. E o objectivo de atrair novos investimentos e novas empresas? Será isto decisivo para uma opção estratégica desse género? Não me parece. Primeiro, porque em Portugal nada é estável. Hoje é assim, mas amanhã com outro governo, poderá ser diferente. Já ninguém acredita em Portugal. Depois, entre os vários factores que levam ou não uma empresa a decidir-se por uma determinada geografia, a estabilidade fiscal é uma delas. Nós não a temos. Uma boa máquina judicial, desburocratizada e ágil é factor decisivo. Nós não a temos. E no momento que atravessamos, com o país intervencionado pelos credores, só se os outros factores fossem mesmo muito atractivos é que alguém se sentiria atraído por Portugal, quando tem dezenas de outras alternativas. Portanto, meus caros, o efeito real que a baixa do IRC vai ter, será um impacto residual na atracção de novas empresas, mas em contrapartida vai gerar uma grande poupança naquelas grandes empresas que já fogem a todos os impostos em geral, fazendo o seu "planeamento fiscal", colocando as suas sedes em outros países e servindo-se de Portugal apenas como "mamadeira", incluindo em larga medida o Estado. São todas as do PSI-20, excepto uma, mas também muitas das outras que nem estão cotadas em bolsa. E vamos ver onde o governo irá buscar a receita para compensar a quebra no IRC. Serão as vítimas eleitas por Passos, a tapar mais este "buraquito", os funcionários públicos e os reformados? Veremos os próximos capítulos...
domingo, 18 de agosto de 2013
A MORTE ESPREITA NA ESTRADA
Ontem apanhei um enorme susto. O meu filho tinha partido pela manhã, para o Algarve, com um colega. Sabia que ia pelo IC-1 e que devia passar o Alentejo à tarde. Depois do almoço, vim actualizar as notícias. Em todo o lado se dava conta de um grave acidente que acabara de ocorrer perto de Ourique, entre duas viaturas ligeiras, com 7 mortos, 5 numa e 2 noutra. Fiquei lívido! A tremer, teclei o seu número de telemóvel. E ninguém atendia! Finalmente a voz : "Olá pai. Já chegámos, estamos na praia, em Vilamoura". Uff, que alívio! Mais calmo, fui analisar a notícia. Em 2 dias, 9 mortos naquela zona! A estrada, com bom piso, boa visibilidade, bem sinalizada, com bom tempo, enfim, nada lhe pode ser imputado que possa provocar esta tragédia. Tirando um motivo fortuito, como o rebentamento de um pneu, por exemplo, é claro para toda a gente que conhece aquela estrada e o que por lá se faz, que todas as probabilidades apontam para uma daquelas ultrapassagens assassinas muito comuns em todo o IC-1. Gente que tem pressa de tomar um banho, talvez, que ultrapassa em curvas fechadas, passando traços contínuos, sem se preocupar se vem alguém em sentido contrário ou não. Quem quiser que se afaste para o lado.
Há muitos anos que digo que um carro é uma arma. E as armas, podem matar. Depende da sua utilização e de quem a manobra. Uma pistola, também pode ser sempre inofensiva, se nunca for disparada. Um destes 2 automóveis, provocou 7 mortos. Mais do que qualquer tiroteio nos últimos anos. Mas se eu der um tiro em alguém e lhe provocar a morte, arrisco uma pesada pena de prisão. Se provocar 3 ou 4 mortes por má condução de um automóvel, sou acusado de homicídio involuntário e apanho uma pena suspensa. Porquê? Apenas pela diferença na premeditação ou não? Lá fora não é assim. As pessoas têm que ter a consciência do que é conduzir uma viatura na estrada. E em países como Portugal, a única forma de o fazer é com mão pesadíssima na lei e na sua posterior aplicação. Se eu passar a 80 Km/h numa zona onde só posso andar a 50 Km/h, cometo uma infracção muito grave. Eventualmente, até num local sem qualquer perigo. Se pisar e ultrapassar um traço contínuo duplo, numa curva fechada, indo para a faixa contrária, cometo a mesma infracção muito grave. Se andar a conduzir com 2 g de alcoolemia no sangue, continua a ser uma infracção muito grave. Tudo igual, portanto! Não há graduação da gravidade e das penas acessórias. Eu nem falo da atribuição das cartas de condução, pois é melhor nem falar. Toda a gente a tem, saiba ou não conduzir, pois uma boa parte das escolas não existem para ensinar a conduzir, servem para "tirar a carta" apenas. E há ainda as da farinha amparo... Mas se quiser tirar uma licença para ter uma pistola, tenho que prestar inúmeras provas e sujeitar-me a testes e nem sempre ela me é atribuída! Porquê? Porque é perigoso tê-la! Porque posso não a utilizar devidamente e assim colocar a vida de outros em risco!
Sempre defendi que em casos muito graves, como a condução sob o efeito de álcool em doses que constituam crime, como temos ouvido cada vez com mais frequência, como 2,6 ou 3, por exemplo, ou essas ultrapassagens sobre traço contínuo em locais muito perigosos e que ponham efectivamente em risco a segurança de outros, a lei não devia ter contemplações. Devia implicar a cassação da carta por um longo período, como 5 anos, por exemplo e numa eventual reincidência a cassação definitiva. Nestas coisas, não podemos andar com "paninhos quentes", de multazinhas e eventualmente 6 meses sem a carta. E as pessoas por cá, só obedecem se tiverem medo das consequências, não me venham com teorias e psicologias, porque estou farto de "bullshit", como eu lhes chamo.
Já há quem não saia de casa depois do pôr do sol em algumas zonas, pelo medo provocado pela insegurança que reina em muitos locais do país. Em algumas datas, é perigosíssimo andar nas estradas em Portugal, porque há por aí muitos potenciais assassinos à desfilada. Ambas as situações, causadas pela excessiva permissividade e benevolência das leis existentes e na ineficácia da sua aplicação, em boa parte dos casos. Será que aqui se poderá aplicar a máxima de que "cada um tem aquilo que merece?"
Há muitos anos que digo que um carro é uma arma. E as armas, podem matar. Depende da sua utilização e de quem a manobra. Uma pistola, também pode ser sempre inofensiva, se nunca for disparada. Um destes 2 automóveis, provocou 7 mortos. Mais do que qualquer tiroteio nos últimos anos. Mas se eu der um tiro em alguém e lhe provocar a morte, arrisco uma pesada pena de prisão. Se provocar 3 ou 4 mortes por má condução de um automóvel, sou acusado de homicídio involuntário e apanho uma pena suspensa. Porquê? Apenas pela diferença na premeditação ou não? Lá fora não é assim. As pessoas têm que ter a consciência do que é conduzir uma viatura na estrada. E em países como Portugal, a única forma de o fazer é com mão pesadíssima na lei e na sua posterior aplicação. Se eu passar a 80 Km/h numa zona onde só posso andar a 50 Km/h, cometo uma infracção muito grave. Eventualmente, até num local sem qualquer perigo. Se pisar e ultrapassar um traço contínuo duplo, numa curva fechada, indo para a faixa contrária, cometo a mesma infracção muito grave. Se andar a conduzir com 2 g de alcoolemia no sangue, continua a ser uma infracção muito grave. Tudo igual, portanto! Não há graduação da gravidade e das penas acessórias. Eu nem falo da atribuição das cartas de condução, pois é melhor nem falar. Toda a gente a tem, saiba ou não conduzir, pois uma boa parte das escolas não existem para ensinar a conduzir, servem para "tirar a carta" apenas. E há ainda as da farinha amparo... Mas se quiser tirar uma licença para ter uma pistola, tenho que prestar inúmeras provas e sujeitar-me a testes e nem sempre ela me é atribuída! Porquê? Porque é perigoso tê-la! Porque posso não a utilizar devidamente e assim colocar a vida de outros em risco!
Sempre defendi que em casos muito graves, como a condução sob o efeito de álcool em doses que constituam crime, como temos ouvido cada vez com mais frequência, como 2,6 ou 3, por exemplo, ou essas ultrapassagens sobre traço contínuo em locais muito perigosos e que ponham efectivamente em risco a segurança de outros, a lei não devia ter contemplações. Devia implicar a cassação da carta por um longo período, como 5 anos, por exemplo e numa eventual reincidência a cassação definitiva. Nestas coisas, não podemos andar com "paninhos quentes", de multazinhas e eventualmente 6 meses sem a carta. E as pessoas por cá, só obedecem se tiverem medo das consequências, não me venham com teorias e psicologias, porque estou farto de "bullshit", como eu lhes chamo.
Já há quem não saia de casa depois do pôr do sol em algumas zonas, pelo medo provocado pela insegurança que reina em muitos locais do país. Em algumas datas, é perigosíssimo andar nas estradas em Portugal, porque há por aí muitos potenciais assassinos à desfilada. Ambas as situações, causadas pela excessiva permissividade e benevolência das leis existentes e na ineficácia da sua aplicação, em boa parte dos casos. Será que aqui se poderá aplicar a máxima de que "cada um tem aquilo que merece?"
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
O PIB DO NOSSO CONTENTAMENTO
Tivemos ontem uma boa notícia na área da economia, uma raridade nos tempos que correm, por isso a relevância ganhou amplitude.
Há dias já, que se preparava o ambiente para a comunicação de que o PIB tinha crescido no 2º trimestre do ano. Havia previsões de 0,3% a 0,6%. Afinal, numa primeira abordagem, o INE apurou que o crescimento foi de 1,1%, um resultado muito bom e surpreendente, sobretudo se considerarmos que o país anda a destruir riqueza desde finais de 2010. Mas este resultado é uma comparação com o trimestre anterior, que tinha sido precisamente o pior desde que começámos a recessão, portanto é preciso cautela na análise, como aliás todos têm demonstrado e pedido. Face ao período homólogo de 2012, por exemplo, a queda foi de 2% ! Não deixa contudo de ser uma boa notícia, pois pode ser o princípio da inversão do sentido. E tão ou mais importante, é que esta subida se deve a um grande incremento das exportações de bens e serviços, pilar fundamental para um crescimento saudável e sustentado de qualquer economia. Recordo que a nossa balança comercial, cronicamente negativa há décadas, já tem saldo positivo, primeiro passo para a sustentabilidade da nossa economia. Foi à custa dum brutal corte nas importações? Sim, também. Mas esse é um princípio básico de qualquer casa bem governada, gastar apenas o que se tem. Desde que não se comprometa a compra de equipamentos necessários e de bens de investimento, a quebra de importações de bens de luxo, por exemplo, é positiva.
Previ aqui neste blogue, há já quase um ano, números muito negativos para o final deste ano de 2013. Recessão de 3%, taxa de desemprego a chegar aos 20% e o endividamento externo a aproximar-se dos 130% do PIB. Tomara eu estar redondamente enganado! Nunca pertenci ao grupo que gosta do "quanto pior, melhor". Até porque sendo português, o mal do meu país, é o meu mal, seja que governo estiver no poder a cada momento. E uma das posições que sempre detestei nos governos, é a de acharem que tudo o que fazem é bem feito e que os números são sempre positivos, ao contrário de todas as oposições que acha precisamente o contrário. Nenhum é capaz de ser imparcial e de ser sincero e objectivo nas análises.
Espero que este seja um momento de inversão de ciclo, mas infelizmente não acredito. Tal como não acredito na queda dos números do desemprego e esse é muito mais fácil de manipular. As economias crescem ou não, dependendo do consumo interno, do investimento e das exportações. O consumo interno está parado há anos, por falta de dinheiro e por medo. Medo de perder o emprego, de perder parte da reforma, de perder parte do rendimento, devido ao permanente estado de terror em que o governo mantém boa parte dos portugueses. Investimento não há, porque o Estado não tem dinheiro e as empresas estão quase todas descapitalizadas e as que não estão, esperam para ver. Do exterior também ninguém investe num país na situação em que Portugal se encontra. E as exportações, estão completamente dependentes do andamento das economias dos nossos parceiros da UE, para onde vão a maioria dos nossos produtos. Mas com a continuação dos enormes cortes, agora mais legitimados, segundo o governo, pelo resultado conhecido, a retirar seja 3 seja 4 mil milhões à economia, como pode ela crescer? Compensados pelas exportações? Teriam que crescer exponencialmente, para tapar esta tão grande fatia! Crescerão tanto os nossos vizinhos, nomeadamente a Espanha, que lhes permita comprarem o que produzimos? Duvido muito! Vamos aguardar para ver. As contas, fá-las-emos quando forem conhecidos os números do final do ano. Espero enganar-me nas previsões que fiz, pois seria bom para Portugal e eu, ao contrário dos hipócritas dos governos e das oposições, ponho sempre o meu país em primeiro lugar! Aguardemos, que o povo é sereno...
Há dias já, que se preparava o ambiente para a comunicação de que o PIB tinha crescido no 2º trimestre do ano. Havia previsões de 0,3% a 0,6%. Afinal, numa primeira abordagem, o INE apurou que o crescimento foi de 1,1%, um resultado muito bom e surpreendente, sobretudo se considerarmos que o país anda a destruir riqueza desde finais de 2010. Mas este resultado é uma comparação com o trimestre anterior, que tinha sido precisamente o pior desde que começámos a recessão, portanto é preciso cautela na análise, como aliás todos têm demonstrado e pedido. Face ao período homólogo de 2012, por exemplo, a queda foi de 2% ! Não deixa contudo de ser uma boa notícia, pois pode ser o princípio da inversão do sentido. E tão ou mais importante, é que esta subida se deve a um grande incremento das exportações de bens e serviços, pilar fundamental para um crescimento saudável e sustentado de qualquer economia. Recordo que a nossa balança comercial, cronicamente negativa há décadas, já tem saldo positivo, primeiro passo para a sustentabilidade da nossa economia. Foi à custa dum brutal corte nas importações? Sim, também. Mas esse é um princípio básico de qualquer casa bem governada, gastar apenas o que se tem. Desde que não se comprometa a compra de equipamentos necessários e de bens de investimento, a quebra de importações de bens de luxo, por exemplo, é positiva.
Previ aqui neste blogue, há já quase um ano, números muito negativos para o final deste ano de 2013. Recessão de 3%, taxa de desemprego a chegar aos 20% e o endividamento externo a aproximar-se dos 130% do PIB. Tomara eu estar redondamente enganado! Nunca pertenci ao grupo que gosta do "quanto pior, melhor". Até porque sendo português, o mal do meu país, é o meu mal, seja que governo estiver no poder a cada momento. E uma das posições que sempre detestei nos governos, é a de acharem que tudo o que fazem é bem feito e que os números são sempre positivos, ao contrário de todas as oposições que acha precisamente o contrário. Nenhum é capaz de ser imparcial e de ser sincero e objectivo nas análises.
Espero que este seja um momento de inversão de ciclo, mas infelizmente não acredito. Tal como não acredito na queda dos números do desemprego e esse é muito mais fácil de manipular. As economias crescem ou não, dependendo do consumo interno, do investimento e das exportações. O consumo interno está parado há anos, por falta de dinheiro e por medo. Medo de perder o emprego, de perder parte da reforma, de perder parte do rendimento, devido ao permanente estado de terror em que o governo mantém boa parte dos portugueses. Investimento não há, porque o Estado não tem dinheiro e as empresas estão quase todas descapitalizadas e as que não estão, esperam para ver. Do exterior também ninguém investe num país na situação em que Portugal se encontra. E as exportações, estão completamente dependentes do andamento das economias dos nossos parceiros da UE, para onde vão a maioria dos nossos produtos. Mas com a continuação dos enormes cortes, agora mais legitimados, segundo o governo, pelo resultado conhecido, a retirar seja 3 seja 4 mil milhões à economia, como pode ela crescer? Compensados pelas exportações? Teriam que crescer exponencialmente, para tapar esta tão grande fatia! Crescerão tanto os nossos vizinhos, nomeadamente a Espanha, que lhes permita comprarem o que produzimos? Duvido muito! Vamos aguardar para ver. As contas, fá-las-emos quando forem conhecidos os números do final do ano. Espero enganar-me nas previsões que fiz, pois seria bom para Portugal e eu, ao contrário dos hipócritas dos governos e das oposições, ponho sempre o meu país em primeiro lugar! Aguardemos, que o povo é sereno...
domingo, 4 de agosto de 2013
FUNDAMENTALISMO ANTI-AUTOCARAVANISTA
Começo por uma declaração de interesses: sou autocaravanista há poucos anos, depois de décadas de campismo de tenda às costas.
Comprei a autocaravana, paguei todos os impostos devidos (muitos), pago anualmente o IUC, a inspecção obrigatória, o seguro e as portagens quando me sirvo das auto-estradas. Cumpro todas as leis e normas em vigor, a autocaravana é um veículo automóvel homologado e autorizado a circular nas estradas e sujeito ao código da estrada, sem quaisquer restrições especiais. Não entendo portanto, a fobia e o fundamentalismo contido em muitas manifestações verbais ou escritas em redes sociais, ou em artigos publicados. Quando vêm da habitual populaça que nessas redes sociais, no meio da boçalidade, se atira a tudo e a todos, nem vale a pena perder tempo com isso. Mas há outros, que pela escrita se nota que estão num patamar um pouco mais elevado, embora a sanha seja por vezes igual ou maior. E entre nomes mais ou menos simpáticos como, selvagens, bandidos, porcos, usurpadores, chico-espertos, etc, lá vão perorando contra a presença cada vez mais assídua das autocaravanas um pouco por todo o lado. Normalmente o argumento que mais frequentemente se lê ou ouve, é o do despejo de águas sujas em locais indevidos, ou o lixo deixado fora dos contentores, a par com a presença e estacionamento perto de locais aprazíveis, como praias, arribas, lagoas, ou barragens. Há autocaravanistas que prevaricam? Há! Eu próprio já vi alguns a despejar os seus depósitos à beira da estrada, curiosamente vários estrangeiros. Há alguns que deixam o lixo em locais inapropriados? Também há! Mas são só os autocaravanistas? Estes que os desancam nas redes sociais nunca viram garrafas, maços de tabaco, sacos e até fraldas bem recheadas a voar de janelas de automóveis em andamento? Pois eu já! E lixo fora dos contentores? Os automobilistas que piquenicam em qualquer local, trazem tudo para casa, quando não há contentores à vista? Ou até quando os há e bem perto? De quem é então o lixo que vemos espalhado um pouco por todo o lado? Sejamos honestos, sensatos e imparciais: os autocaravanistas são pessoas como as outras e quase todos têm outros automóveis que conduzem como todas as outras pessoas. Há os que cumprem, os que são educados, respeitam as regras e há os que não querem saber de nada, como muitos outros que não têm autocaravana. Eu jamais deixo um papel que seja, fora dos caixotes do lixo e nunca despejaria as minhas águas negras fora do local apropriado. Tal como não o faço nos meus carros nem nunca deixei os meus filhos fazê-lo. Já fiz 500 Km na autocaravana, para despejar as águas, por não haver nada por perto, e bem podia encostar num pinhal e deixá-las ali, sem ninguém ver. Actualmente a maioria dos parques de campismo já têm áreas de serviço e há inúmeras fora dos parques, espalhadas por todo o território. Só quem é javardo por sua natureza é que o faz fora dos locais devidos. Os depósitos de lixo que todos vemos em ribanceiras à beira das estradas portuguesas, com frigoríficos, máquinas de lavar, colchões, foram ali deixados por autocaravanistas?
As generalizações são sempre perigosas e injustas. Eu vivo em Peniche. Quando regresso a casa vindo do Norte, ou faço um desvio e páro nas termas de S. Pedro do Sul, ou venho pela Beira Baixa e vou ao Pólis de Abrantes e despejo lá, antes de chegar a casa. Curiosamente, Peniche, que é uma terra onde estão permanentemente dezenas de autocaravanas estacionadas, não tem uma área de serviço para lhes dar apoio. E se este facto não desculpa as infracções, pelo menos potencia-as! Há muitas aldeias e pequenas vilas por todo o país que construíram belas áreas de serviço para autocaravanistas, por saberem que este segmento de turismo (sim, porque é disto que se trata) tem um poder de compra acima da média e tentam assim captá-lo para as suas áreas de influência. Os autocaravanistas incomodam e não fazem despesa? É falso! Se não dormem fora das suas unidades, vão muito frequentemente tomar as suas refeições aos restaurantes ou fazer as suas compras aos supermercados e lojas nas localidades onde estacionam.
Há pessoas que não gostam de autocaravanas? Estão no seu direito! Eu também não gosto de máquinas agrícolas com lama ou bosta de cavalo a saltar dos seus rodados nas estradas por onde ando, e também não gosto de "papa-reformas" a tapar-me o andamento, por exemplo. Vamos proibi-los? Se a lei estiver a ser cumprida, tenho que os aceitar, se não estiver, pois as autoridades que actuem. Tenho lido comentários sobre as agressões ao ambiente, por causa de autocaravanas estacionadas em arribas, ou perto de locais aprazíveis. Entendamo-nos! Há por lá alguma proibição de circulação, ou não? Se há, volto a dizer, a autoridade competente que actue; se não há, as autocaravanas têm tanto direito a circular por ali como os automóveis cujos donos muitas vezes são os mesmos que nessas redes sociais falam contra os outros. Há de tudo, meus caros: há "porcos" ao volante de autocaravanas, tal como os há ao volante de mercedes e BMW.
Portanto, meus amigos, paremos com as fobias e os fundamentalismos que nunca deram bom resultado e tentemos ser todos mais respeitadores das regras de bom convívio em sociedade, estejamos ao volante de uma autocaravana, de um automóvel, de uma bicicleta, ou simplesmente a pé e a largar o papel do gelado, o pacote das batatas fritas ou a garrafa de água para o chão...
Comprei a autocaravana, paguei todos os impostos devidos (muitos), pago anualmente o IUC, a inspecção obrigatória, o seguro e as portagens quando me sirvo das auto-estradas. Cumpro todas as leis e normas em vigor, a autocaravana é um veículo automóvel homologado e autorizado a circular nas estradas e sujeito ao código da estrada, sem quaisquer restrições especiais. Não entendo portanto, a fobia e o fundamentalismo contido em muitas manifestações verbais ou escritas em redes sociais, ou em artigos publicados. Quando vêm da habitual populaça que nessas redes sociais, no meio da boçalidade, se atira a tudo e a todos, nem vale a pena perder tempo com isso. Mas há outros, que pela escrita se nota que estão num patamar um pouco mais elevado, embora a sanha seja por vezes igual ou maior. E entre nomes mais ou menos simpáticos como, selvagens, bandidos, porcos, usurpadores, chico-espertos, etc, lá vão perorando contra a presença cada vez mais assídua das autocaravanas um pouco por todo o lado. Normalmente o argumento que mais frequentemente se lê ou ouve, é o do despejo de águas sujas em locais indevidos, ou o lixo deixado fora dos contentores, a par com a presença e estacionamento perto de locais aprazíveis, como praias, arribas, lagoas, ou barragens. Há autocaravanistas que prevaricam? Há! Eu próprio já vi alguns a despejar os seus depósitos à beira da estrada, curiosamente vários estrangeiros. Há alguns que deixam o lixo em locais inapropriados? Também há! Mas são só os autocaravanistas? Estes que os desancam nas redes sociais nunca viram garrafas, maços de tabaco, sacos e até fraldas bem recheadas a voar de janelas de automóveis em andamento? Pois eu já! E lixo fora dos contentores? Os automobilistas que piquenicam em qualquer local, trazem tudo para casa, quando não há contentores à vista? Ou até quando os há e bem perto? De quem é então o lixo que vemos espalhado um pouco por todo o lado? Sejamos honestos, sensatos e imparciais: os autocaravanistas são pessoas como as outras e quase todos têm outros automóveis que conduzem como todas as outras pessoas. Há os que cumprem, os que são educados, respeitam as regras e há os que não querem saber de nada, como muitos outros que não têm autocaravana. Eu jamais deixo um papel que seja, fora dos caixotes do lixo e nunca despejaria as minhas águas negras fora do local apropriado. Tal como não o faço nos meus carros nem nunca deixei os meus filhos fazê-lo. Já fiz 500 Km na autocaravana, para despejar as águas, por não haver nada por perto, e bem podia encostar num pinhal e deixá-las ali, sem ninguém ver. Actualmente a maioria dos parques de campismo já têm áreas de serviço e há inúmeras fora dos parques, espalhadas por todo o território. Só quem é javardo por sua natureza é que o faz fora dos locais devidos. Os depósitos de lixo que todos vemos em ribanceiras à beira das estradas portuguesas, com frigoríficos, máquinas de lavar, colchões, foram ali deixados por autocaravanistas?
As generalizações são sempre perigosas e injustas. Eu vivo em Peniche. Quando regresso a casa vindo do Norte, ou faço um desvio e páro nas termas de S. Pedro do Sul, ou venho pela Beira Baixa e vou ao Pólis de Abrantes e despejo lá, antes de chegar a casa. Curiosamente, Peniche, que é uma terra onde estão permanentemente dezenas de autocaravanas estacionadas, não tem uma área de serviço para lhes dar apoio. E se este facto não desculpa as infracções, pelo menos potencia-as! Há muitas aldeias e pequenas vilas por todo o país que construíram belas áreas de serviço para autocaravanistas, por saberem que este segmento de turismo (sim, porque é disto que se trata) tem um poder de compra acima da média e tentam assim captá-lo para as suas áreas de influência. Os autocaravanistas incomodam e não fazem despesa? É falso! Se não dormem fora das suas unidades, vão muito frequentemente tomar as suas refeições aos restaurantes ou fazer as suas compras aos supermercados e lojas nas localidades onde estacionam.
Há pessoas que não gostam de autocaravanas? Estão no seu direito! Eu também não gosto de máquinas agrícolas com lama ou bosta de cavalo a saltar dos seus rodados nas estradas por onde ando, e também não gosto de "papa-reformas" a tapar-me o andamento, por exemplo. Vamos proibi-los? Se a lei estiver a ser cumprida, tenho que os aceitar, se não estiver, pois as autoridades que actuem. Tenho lido comentários sobre as agressões ao ambiente, por causa de autocaravanas estacionadas em arribas, ou perto de locais aprazíveis. Entendamo-nos! Há por lá alguma proibição de circulação, ou não? Se há, volto a dizer, a autoridade competente que actue; se não há, as autocaravanas têm tanto direito a circular por ali como os automóveis cujos donos muitas vezes são os mesmos que nessas redes sociais falam contra os outros. Há de tudo, meus caros: há "porcos" ao volante de autocaravanas, tal como os há ao volante de mercedes e BMW.
Portanto, meus amigos, paremos com as fobias e os fundamentalismos que nunca deram bom resultado e tentemos ser todos mais respeitadores das regras de bom convívio em sociedade, estejamos ao volante de uma autocaravana, de um automóvel, de uma bicicleta, ou simplesmente a pé e a largar o papel do gelado, o pacote das batatas fritas ou a garrafa de água para o chão...
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