sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PRIMEIRO O RATING, AGORA O SANGUE...

     As reservas de sangue nos hospitais portugueses estão a entrar em ruptura, em resultado da queda abrupta das dádivas nos últimos dias. Não se esperava outra coisa depois da notícia de que uma boa parte do plasma do sangue doado pelos portugueses ia parar ao lixo. Ainda não há muito tempo vimos o "rating" do nosso país ser colocado no "lixo". Mas em relação a isso não podemos individualmente fazer nada. Mas quando nos dizem que dar sangue é dar vida e depois sabemos que parte dessa vida é atirada para o lixo, isso é ignóbil para quem tão generosamente dá uma parte de si para salvar outros. E em relação ao motivo porque isto acontece? Será verdade o que ouvimos? Ainda ninguém desmentiu!! Que os armazéns de frio destinados a conservar o sangue estavam a ser ocupados por arquivos!! Mas está tudo doido? Que gente é esta que está à frente dos serviços? E as notícias deste género sucedem-se, há umas desculpas balbuciadas, tudo cai no esquecimento, ninguém é responsabilizado, muito menos demitido e... É isto Portugal! É por isto que nunca nos desenvolveremos, não é por trabalharmos pouco, por gastarmos demasiado, por sermos isto ou aquilo; é por termos gente desqualificada à frente de quase tudo, é por a incompetência e o desleixo reinarem em quase tudo o que é serviço público e muito do privado também, é por nunca ninguém ser responsabilizado pelas asneiras e desmandos que comete, é pela impunidade generalizada que permite que cada um faça o que entende. O Sr. secretário de estado da saúde antes de vir fazer apelos aos dadores para voltarem a dar um pouco de si e não prejudicarem os que não têm culpa de nada, os doentes, diga que medidas tomou para acabar de imediato com o sucedido e o que vai acontecer com os responsáveis. E não queremos saber de inquéritos à portuguesa, queremos conclusões e decisões, já.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PODER MILITAR VS PODER POLÍTICO

     Ouvimos e lemos hoje nas notícias uma afirmação proferida por um responsável duma associação de oficiais das forças armadas portuguesas, que me deixou apreensivo, se bem que, ultimamente, já quase nada me espanta. Dizia ele que "nada nos obriga a ser submissos", ao poder político, entenda-se. Todos sabemos que andam descontentes os militares, dizem que não estão a ser respeitados, porque lhes congelaram as promoções e os ordenados. No fundo, o mesmo sentimento que reina nas polícias e restantes forças de segurança. Mas também em toda a função pública, nas magistraturas, enfim, em toda a sociedade portuguesa. Sempre ouvi dizer que "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Mas se uns podem dizer (quase) tudo o que lhes vier à cabeça, outros, pelas funções que desempenham, não podem; ou pelo menos, não devem. Se perguntarmos individualmente a cada português, se concorda que tem que haver cortes, todos dirão que sim. Mas depois, quando nos toca no nosso bolso... Cortes, sim, mas só para os outros! Os militares não são funcionários públicos; os magistrados também não, dizem os próprios. Os reformados, cheios de razão, dizem que descontaram toda a vida sobre 14 ordenados, para no futuro receberem 14 pensões. Todos têm as suas razões, que caem por terra quando e se nos disserem que temos todos razão mas não há dinheiro para pagar a ninguém. Mas, meus amigos, cuidado com as palavras: a submissão do poder militar ao poder político é um dos pilares e um dos princípios basilares das democracias plenas e do Estado de Direito que nos dizem que somos! Ou não?...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CÓDIGO PENAL

       Parece que finalmente vai haver alterações ao código penal e de processo penal, espero que para remediar as anteriores mexidas efectuadas pelo ex-ministro da administração interna, em minha opinião responsáveis em boa parte pelo clima de impunidade e insegurança que reina no país. Excesso de garantias para quem comete crimes, à custa da retirada das mesmas para os cidadãos que cumprem as leis e se vêem completamente desprotegidos por parte de quem tem por obrigação assegurar-lhes essa protecção. Estamos todos fartos de ver e ouvir diariamente criminosos presentes a tribunal e que são imediatamente colocados em liberdade enquanto aguardam julgamento, outros que são condenados mas com pena suspensa, outros que recorrem sucessivamente para instâncias superiores até os crimes prescreverem, fazendo a Justiça portuguesa cair num completo descrédito e até no ridículo. Será desta? E até quando?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ABERTURA DO ANO JUDICIAL

          Ontem, na cerimónia de abertura do ano judicial de 2012, entre as frases já repetidas há mais de 35 anos, surgiu esta, proferida pela presidente da AR, Assunção Esteves: "As prisões são uma ferida medieval na sociedade moderna e republicana". Soube-se também no mesmo dia que um abusador confesso de uma criança apanhou uma pena suspensa. Como se vê, estamos a tornar-nos um país extremamente moderno, em que as penas de prisão passaram a ser quase sempre suspensas e sendo assim a tal "ferida medieval" está a caminho de cicatrizar... Perguntem é aos pais da criança, aos donos de ourivesarias assaltadas, aos proprietários de casas invadidas com sequestro e extrema violência e a todas as outras vítimas da onda de criminalidade que grassa pelo país, se gostam da sociedade "moderna e republicana" em que vivemos, que mantém em liberdade os criminosos, e os cidadãos cumpridores das leis trancados em casa com medo de sair à rua. Se é isto que pensam os nossos governantes da "sociedade moderna e republicana", então eu prefiro a monarquia!

domingo, 29 de janeiro de 2012

RSI

      O Ministro da Solidariedade e Segurança Social veio hoje dizer que se descobriu que há beneficiários do RSI que têm contas bancárias de mais de cem mil euros. Não pode ser! Ainda ninguém desconfiava disso! Os portugueses, povo que só recorre aos fundos públicos em casos de extrema necessidade e avesso a todas as fraudes, como se sabe, nunca se colocaria nessa situação. Por cá só recebem RSI os pobrezinhos, desprotegidos, que não arranjam emprego e não têm quaisquer outros meios de subsistência. Deve haver algum engano, certamente...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

GALINHAS DE OVOS DE OURO


 Surgiu hoje a notícia de que a Comissão Europeia se prepara para aplicar sansões a diversos países da União, entre os quais Portugal por não estarem a cumprir na íntegra, directrizes sobre as condições dos galinheiros. Ao que parece, as galinhas têm que ter espaço e condições para esgravatar, desgastar as garras, ninho, cama e poleiros que cumpram as normas. Confesso que quando li a notícia olhei automaticamente para o calendário a confirmar a data, pensando se seria dia 1 de Abril. Como não é, só tenho uma explicação: está tudo doido! Então numa altura em que a União está a passar pelo maior teste de sobrevivência desde que foi criada, em que as condições de vida dos seus habitantes estão a sofrer a maior degradação de que há memória, em que a sua moeda está a ser alvo de ataque cerrado e continuado na tentativa de a abater, os responsáveis políticos vêm questionar as condições de vida das galinhas? Mas de onde têm saído estes dirigentes que temos em todo o lado? São estes os "quadros" que as nossas universidades produzem? Se são, então é por aqui que se tem que rapidamente fazer alguma coisa. E depois acham que a Europa corre o risco de irrelevância a breve prazo? Como evitar esse risco, com os governantes que temos ao leme de quase todos os países e instituições europeus?
     Faço apenas mais uma sugestão: que incluam também um spa e sanitários com banho turco nos galinheiros, pois isso aumenta o valor nutritivo dos ovos. Se a prioridade actual da Europa são as condições de vida das galinhas, façam-no! Eu sou Pinto e fico agradecido!

domingo, 22 de janeiro de 2012

POLÍTICOS COM SALÁRIOS INDEXADOS

       Vem no jornal "Expresso" de ontem, uma sugestão muito inteligente do comentador e jornalista Henrique Raposo, na sua habitual coluna. Diz ele que o salário dos deputados devia ser indexado ao salário médio nacional, sugerindo quatro vezes esse valor, a título de exemplo. Concordo absolutamente com esta proposta, indo até um pouco mais além: alargava a medida a toda a classe política dirigente ou seja, deputados, governantes e presidente da república. Se um deputado ganhasse quatro vezes o valor do salário médio nacional, um ministro ganharia seis ou sete vezes e o presidente da república dez vezes. Desta forma haveria um real incentivo das classes dirigentes em "puxar" para cima o salário dos portugueses, já que isso teria implicação directa no seu próprio salário. É claro que isto (o valor do salário médio) não pode ser feito por decreto, mas esta indexação iria certamente ter um efeito extremamente positivo na qualidade das leis, que anda pelas ruas da amargura, e na vontade concreta de tomar as medidas necessárias e eternamente adiadas de modernizar e reestruturar a economia do país. Ah, só mais uma coisinha: para o cálculo do salário médio também deveriam contar os trabalhadores no desemprego e não só os que estão no activo, para que as medidas tomadas tenham em atenção a protecção e o crescimento do emprego...